A inserção da literatura nas ciências jurídicas: uma proposta transdisciplinar para uma (re)construção do ensino jurídico

Aloisio Alencar Bolwerk, Francisco dos Santos Oliveira Soares, Mayara Pereira Gomes

Resumo


O ensino de Direito tem sido construído por meio da utilização de recursos e materiais didáticos restritos ao âmbito jurídico, isto é, existe uma tendência a não optar por recursos exógenos. É nesse cenário que o artigo busca soluções para a questão da formação do acadêmico do curso de ciências jurídicas, apontando as falhas existentes no ensino estritamente técnico e construído a partir de disciplinas que não fogem ao mundo jurídico, que priorizam conteúdos didaticamente herméticos quanto à abrangência de outras áreas do conhecimento. Faz profunda reflexão sobre o processo de ensino e aprendizagem, assim como aponta as artes literárias como meio de estímulo à reflexão humana. Busca aprimorar o método de ensino de ciências jurídicas a partir da incorporação da literatura no direito, com foco no desenvolvimento das habilidades relacionadas ao conhecimento histórico, cultural e linguístico. Dessa forma, partindo do método dedutivo e com fundamentos em revisão bibliográfica na área do direito e literatura, ratifica-se que o direito deve ser regado com a literatura para que os futuros profissionais não sejam frutos de um sistema cartesiano, cuja roupagem se destaca pela baixa axiologia humanística.


Texto completo:

PDF

Referências


ARAGÃO, R. Cognição, emoção e reflexão na sala de aula: por uma abordagem sistêmica do ensino/aprendizagem de inglês. Revista Brasileira de Lingüística Aplicada, Belo Horizonte, v. 5, n. 2, p. 101-120, 2005.

BOLWERK, A. A. Método jurídico axiológico aplicado ao direito civil. Tese (Doutorado em Direito) – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016. 177 f.

BUCHER-MALUSCHKE, J. S. N. F. Revisitando Questões sobre Lei, Transgressão e Família em suas Interações com a Psicologia, a Psicanálise, o Direito e a Interdisciplinaridade Possível. Psicologia: Teoria e Pesquisa, São Paulo, v. 23, n. especial, p. 89 – 96, 2007.

CRUZ, J. M. O. Processo de ensino-aprendizagem na sociedade da informação. Educação Sociedade, Campinas, vol. 29, n. 105, p. 1023-1042, set./dez, 2008.

DOSTOIÉVSKI, F. Crime e castigo. Coleção LESTE. Tradução, prefácio e notas de Paulo Bezerra. 5. ed. São Paulo: 34, 2007. 568 p.

DUARTE, N. Fundamentos da pedagogia histórico-crítica. In: A. C. G. MARSIGLIA (org.), Pedagogia histórico-crítica: 30 anos. Campinas: Autores Associados, 2011. p. 07-21. (Coleção memória da educação)

FIUZA, C.; COSTA POLI, L. Famílias plurais o direito fundamental à família. Revista da Faculdade de Direito da UFMG, v. 67, n. 6, p. 151-180, jul./dez. 2015.

GODOY, Arnaldo Sampaio de Moraes. Direito & literatura: ensaio de síntese teórica. Porto Alegre: Livraria do Avogado, 2008, 136 p. (Coleção direito e arte; 2)

GRUBBA, L. S. O literato é o contador da história: ensaio sobre a dignidade humana em Os Irmãos Karamázov. In: L. C. C. OLIVO (org.), Dostoiévski e a filosofia do direito: o discurso jurídico dos irmãos Karamázov. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2012. p. 13-43. (Coleção direito e literatura, v. 7)

GUIMARAES, S. E. R.; BORUCHOVITCH, E. O Estilo Motivacional do Professor e a Motivação Intrínseca dos Estudantes: Uma Perspectiva da Teoria da Autodeterminação. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 17, n. 2, p.143-150, 2004.

MATURANA, H. Emoções e Linguagem na Educação e na Política. Belo Horizonte: UFMG, 1999. 96 p.

MATURANA, H. R.; VARELA, F. J. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. Tradução Humberto Mariotti e Lia Diskin. 10. ed. São Paulo: Palas Athena, 2018. 288 p.

MEIRELES, R. S.; MORAES, C. S. Ecos da resistência em o pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, e a trilha dos ninhos de aranha, de ítalo Calvino. Litterata, Ilhéus, v. 6, n. 2, p. 103-123, jul./dez., 2016. Disponível em: < http://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/article/view/1067>. Acesso em: 20 out. 2018.

NUNES, L. A. R. Manual de introdução ao estudo do direito. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. 463 p.

OLIVO, L. C. C. O estudo do direito através da literatura. Tubarão: Editorial Studium, 2005. 104 p.

SAINT-EXUPERY, A. O pequeno príncipe. Belo Horizonte: Autêntica, 2015. 96 p.

SANTOS, S. M. P. Direito e Literatura: perspectiva transdisciplinar na abordagem de temas sociais e jurídicos. Interfaces Científicas – Direito, Aracaju, v.01, n.01, p. 27-34, out. 2012.

SELIGMANN-SILVA, M. Apresentação. In: L. C. C. OLIVO (org.), Dostoiévski e a filosofia do direito: o discurso jurídico dos irmãos Karamázov. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2012. 248 p. (Coleção direito e literatura, v. 7).

SHAKESPEARE, W. O mercador de Veneza. Tradução Beatriz Viégas-Faria. Porto Alegre: L&PM., 2011. 128 p.

TRINDADE, A. K. Kafka e os paradoxos do direito: da ficção à realidade. Diálogos do Direito, Cachoeirinha, v.2, n.2, p. 137-159, 2012.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Endereço: Avenida Prudente de Moraes, 815

Bairro: Zona Sete

CEP: 87020-010

Maringá - Paraná - Brasil